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Irmã Dulce da Bahia: Um Anjo entre nós

Fonte da Notícia: Matéria Publicada pelo jornalista e teólogo Adelino Coelho na revista Ave Maria, ed. 113 – Maio 2011 (p. 16).
Data: 22/09/2017
Postada às: 16:22:00 horas.

Os brasileiros têm motivos de sobra para se alegrar com a beatificação de nossa querida Irmã Dulce, em 22 de maio. Católicos ou não, todos estão de acordo sobre sua heroicidade. Irmã Dulce dedicou sua vida aos mais pobres e excluídos, oferecendo-lhes todas as suas forças e amor. A admiração e o entusiasmo por ela romperam os limites geográficos da Bahia, espalhando-se pelo território brasileiro e pelo mundo até chegar a Roma.

Irmã Dulce

Assim, a Congregação das Causas dos Santos, reconhecendo sua coragem e virtuosidade, deu parecer favorável para que fosse declarada venerável: “A sua vida foi uma confissão do primado de Deus e da grandeza do homem filho de Deus, até mesmo onde a imagem divina parece obscurecida, degradada e humilhada” (Congregação das Causas dos Santos).

O despertar da vocação

Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes era o nome completo de Irmã Dulce. Ela nasceu em Salvador (BA), em 26 de maio de 1914. Teve como exemplo o pai, Augusto, que era dentista e atendia gratuitamente os mais necessitados.

Desde cedo, Maria Rita já mostrava uma personalidade brincalhona. Gostava de jogar futebol e, aos domingos, torcia no estádio por seu time do coração: o Esporte Clube Ypiranga. Na escola, estudava música e aprendia a bordar.

Por volta dos 13 anos, Maria Rita já visitava áreas carentes, acompanhada por tia Madalena, irmã de sua mãe Dulce, que havia falecido. Iam aos casebres da Baixa dos Sapateiros, conhecendo de perto a pobreza, o drama dos pais de família sem emprego e as crianças abandonadas. Pouco a pouco, a semente da misericórdia brotava em seu coração. O amor aos infelizes encontrou terreno fértil e se desenvolveu.

Aos 15 anos, confidenciou à tia que desejava entrar para a Ordem Terceira de São Francisco, cuja espiritualidade era voltada aos pobres. Os mais humildes a procuravam cada vez mais e em maior número em sua casa.

Entrada na vida religiosa

Ao ouvir uma religiosa da Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus (Santarém, PA), solicitando ajuda à população ribeirinha da Amazônia, sentiu-se atraída pela vida consagrada e logo manifestou seu desejo ao pai, entrando para a Ordem Franciscana Secular em 1929.

No dia 8 de fevereiro de 1933 trocou a Ordem Terceira de São Francisco pelo postulantado no Convento do Carmo (São Cristóvão, SE). Em 15 de agosto de 1934 fez seus votos perpétuos e trocou seu nome para Dulce, em homenagem à mãe.

Irmã Dulce foi, então, designada para lecionar em Salvador. Ao voltar para sua terra natal, escolheu o frei Hildebrando Kruthaup como seu confessor. Este seria seu grande conselheiro por muito tempo, norteando-a nos momentos mais difíceis. Ainda nesse período, cursou Farmácia, um conhecimento valioso para o trabalho que faria mais tarde no cuidado de pessoas doentes.

Aplicava seus conhecimentos farmacêuticos no Hospital Espanhol, quando foi convocada para lecionar numa escola do Largo da Madragoa, na favela de Massaranduba. Irmã Dulce obedeceu, mas o seu coração clamava pelos pobres, que enchiam as calçadas em volta do colégio. Corno gostaria de acolher aquelas crianças, ajudar as mães nos barracos e acudir aos enfermos. Seus desejos foram atendidos e, com alegria, recebeu a notícia de que fora dispensada do colégio para se dedicar inteiramente às missões de caridade.

No meio dos pobres

Reunindo as crianças para catequese, barraco por barraco, notou o grau de degradação humana ao qual aquelas famílias haviam chegado. Preocupada com elas, durante o dia ensinava às crianças as primeiras letras e, à noite, ensinava aos pais. Irmã Dulce se preocupava com os operários, desestimulados pela carga excessiva de trabalho e pela baixa remuneração. Isso sem falar daqueles que estavam desempregados e passando necessidades ainda maiores.

Chegou a falar com os donos de várias fábricas a fim de catequizar os operários, mas o único período disponível era o do almoço, e nesse curto tempo livre os trabalhadores precisavam se alimentar. Percebeu então que o melhor caminho de alcançar esses trabalhadores era a partir das famílias dos operários, conhecendo de perto seus problemas e dificuldades.

Fé na Divina Providência

Irmã Dulce depositava grande confiança na Divina Providência. Colocava nas mãos do Pai do Céu todas as suas preocupações por intermédio de Santo Antônio de Lisboa, por quem tinha enorme devoção. Acreditava fielmente na Palavra de Deus e, a partir dela, se animava no atendimento aos seus pequeninos: “Muita gente acredita que não devemos dar aos pobres a mesma atenção que damos às outras pessoas. Para mim, o pobre, o doente, aquele que sofre, o abandonado é a imagem de Cristo. Se o pobre representa a imagem de Deus ‘tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes’ (cf Mateus 25,35-36), então, pode ser demais aquilo que fazemos pelos pobres? Cada um de nós não gostaria de ser bem recebido, de ser bem tratado? E o pobre não possui o direito de ser bem acolhido, de receber todas as atenções espirituais e materiais?” (Irmã Dulce – O anjo bom da Bahia, de Caetano Passarelli, p. 94).

Mesmo frágil e com a voz fraca, consequências de uma cirurgia na garganta e de uma apendicite, continuava sua missão. Levantando-se sempre às 5 da manhã e se alimentando pouco, visitava as famílias necessitadas, levava as crianças ao catecismo e recolhia os moradores de rua. Pela oração, obtinha de Deus as graças necessárias para fazer o bem, sem reservas aos irmãos sofredores.

Impregnada de tal espírito de fé, buscou ajuda para montar um ambulatório: um barraco feito de latão, sem nenhum conforto. Porém, pensava grande. Irmã Dulce não tinha vergonha de pedir apoio a todos: negociantes, dirigentes, políticos, empresários que pudessem lhe ajudar.

Casas arrombadas

Certo dia, ao fechar o ambulatório, chegou a ela um menino pálido, tremendo, com crise de malária em estado avançado. Pedia-lhe, incessantemente, que não o abandonasse nem o deixasse morrer na rua. Irmã Dulce então reabriu o ambulatório e lhe medicou, mas onde o deixaria? Lembrou-se então da Ilha dos Ratos: um bairro afastado, onde havia algumas casas vazias e fechadas pelos donos. Diante do estado do menino, foi até lá e não pensou duas vezes: arrombou a porta de uma delas e ali acomodou o menino.

No dia seguinte, encontrou uma mulher, à beira da morte, ao lado do menino. Assim que Irmã Dulce a viu foi atrás de um médico. Na volta, encontrou um tuberculoso, que também lhe pediu socorro. Como ele tinha uma doença contagiosa, não poderia colocá-lo junto dos demais, a solução foi arrombar outra casa. A notícia se espalhou e muitos doentes souberam que podiam contar com aquela freira corajosa. Conforme a necessidade, outras portas foram também arrombadas.

Ao serem informados de que suas casas tinham sido invadidas, os proprietários a denunciaram. Irmã Dulce foi então convocada e recebeu ordem de desocupar as casas imediatamente. Levou seus pacientes para debaixo de uma ponte, fechando o espaço com latas e papelões. Pouco tempo depois, o prefeito ordenou a ela que saísse também dali.

Nasce o Hospital

Não podendo mais atender seus doentes, Irmã Dulce retornou ao convento. Enquanto caminhava pelo pátio, passou por um terreno repleto de galinhas e teve uma ideia. Após conversar com a Superiora, ocupou o espaço e começou a atender ali cerca de setenta pacientes.

Foi esse o começo humilde do hoje magnífico Hospital Santo Antônio: um hospital de grande porte, com mais de mil leitos, centro de um complexo médico, social e educacional para os pobres, apreciado e reconhecido.

Meninos de Rua

Irmã Dulce já havia assistido os operários e acomodado seus doentes. Então, a partir de 1959, se volta para aqueles que eram rejeitados pela própria família e que viviam nas ruas como “ovelhas sem pastor”.

Na companhia de um guarda e de outras freiras, saía em busca de moradores de rua. Resgatavam-nos das ruas e os levavam para um albergue, onde serviam sopa e lhes davam para dormir, com a condição de que no dia seguinte cedo, procurariam um emprego.

Irmã Dulce relatava as dificuldades com os meninos de rua, por sua agressividade e violência.  Mas, mesmo sendo tarefa árdua, tratava esses jovens com amor e paciência. Alguns se adaptavam à nova vida, outros insistiam em fugir.

Irmã Dulce sempre os recebia de volta com os braços abertos. Os jovens eram vencidos pelo amor. E, de fato, elas os amava. Por onde andava, fazia campanha a favor deles dizendo sempre que os deviam e podiam ser salvos. Alertava as autoridades e os grandes empresários que o futuro da pátria estava em jogo, sendo, portanto, uma omissão grave abandonar aquelas crianças. Sem dúvida, um grande exemplo para o nosso tempo.

Irmã Dulce, a verdadeira seguidora de Cristo.

O trabalho de irmã Dulce foi reconhecido em todo o país. Morreu em 1992, após ter ficado dezesseis meses presa ao leito, por sua doença pulmonar. Seu exemplo e ações devem ser repartidos por todos nós – dar de comer aos que vem fome, dar de beber a quem tem sede, vestir os nus e dar abrigo aos desamparados (cf. Mateus, 25,35).

A ela, bem se aplicaram as promessas de Jesus dirigidas aos que têm coragem de segui-lo de verdade: “Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem, vos expulsarem, vos ultrajarem, e quando repelirem o vosso nome como infame por causa do Filho do Homem! Alegrai-vos naquele dia e exultai, porque grande é o vosso galardão no céu” (Lucas 6,22-23).

O Milagre

Uma das etapas fundamentais para que a Venerável Irmã Dulce fosse proclamada beata era a comprovação de um milagre no qual haja a sua intercessão. O fato ocorreu em 2001, no interior do nordeste. A paciente apresentava uma forte hemorragia após o parto. Após três tentativas de intervenções cirúrgicas mal sucedidas, um grupo de orações pediu à Irmã Dulce que intercedesse em favor da parturiente, e a hemorragia se rompeu. O médico, achando que iria chegar ao local para assinar o atestado de óbito, teve uma grande surpresa. A mãe estava bem, com o filho em seus braços.

Além desse, não é difícil encontrar depoimentos de milagres sob a intercessão da Irmã Dulce, que continua cuidando dos mais necessitados.


 


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